sábado, 19 de fevereiro de 2011

POR QUE FECHAMOS OS OLHOS QUANDO BEIJAMOS NA BOCA?


Numa noite dessas, tive um sonho que deixou meu coração apertado o dia inteiro. Sonhei que o amor da minha vida estava beijando outra pessoa, bem perto de mim. Esse “amor da minha vida” é um amor não correspondido que me chama só de amigo. No sonho, eu olhava aquela cena e tinha que segurar a tristeza, pois logo em seguida o “meu amor” vinha até mim para contar quem era aquela outra pessoa e como eles tinham ficado. Confidências de amigo. Aí, eu acordei. Naquele instante, fiquei aliviado. Era só um sonho mesmo. Além do mais, no sonho, o “meu amor” tomava a iniciativa do beijo, coisa que, por timidez, jamais faria de verdade. Jamais? Quando eu notei que “jamais” e “provavelmente não” são coisas muito diferentes, voltei a ficar aflito. E cada vez que aquela cena se reproduzia na minha cabeça, doía mais. Mas o interessante é que o que mais me deixava mal era que o “amor da minha vida” fechava os olhos para dar o beijo. Mas por que é que fechamos os olhos para beijar na boca mesmo? E por que esse gesto tão comum e tão natural de fechar os olhos me afligia tanto? Comecei a pensar.
As razões para se fechar os olhos na hora do beijo são muitas. Em primeiro lugar, vem a questão do romantismo. Beijo de olho aberto é muito esquisito, quebra qualquer clima. Nas novelas e filmes, quem beija de olho aberto ou não está gostando do beijo, ou está dando um beijo falso, querendo seduzir ou se aproveitar dos sentimentos de alguém sem se deixar envolver pelo momento. Beijo de olhos fechados é clássico, marca registrada dos amores de verdade. Mas essa razão é tão vaga! A gente fecha os olhos na hora do beijo só porque todo mundo fecha? Só porque é de praxe? Esse motivo não me convenceu não...
Agora me veio uma ideia absurda na cabeça: fechamos os olhos para não ver quem estamos beijando. E por que não iríamos querer ver quem estamos beijando? Tenho uma teoria. É para não se envolver com a pessoa, pra beijar só por beijar. Isso até teria fundamento em se tratando de beijos dados numa ficada sem importância, coisa que acontece muito. Mas e os beijos de namorados? O beijo do casamento? O beijo do final do filme? Não. Nem todo mundo beija por beijar, mas ainda assim fecha os olhos. Mas não dizem que “o que os olhos não veem, o coração não sente”? Então, como é que as pessoas ficam nas nuvens quando beijam os amores das suas vidas sem vê-los? Se não veem, seus corações não deveriam sentir. Enfim, uma descoberta: achei uma exceção à regra do ditado popular.
É engraçado eu estar pensando sobre isso. No meu primeiro beijo, eu abri os olhos por um instante, só pra ver se era verdade mesmo. Eu deveria ter sentido a verdade sem precisar vê-la. Acontece que o meu primeiro beijo não foi com o amor da minha vida. Nem o segundo. Nem o terceiro... Eu nunca beijei o amor da minha vida, mas com certeza, se tivesse beijado, teria fechado os olhos. Nos beijos que eu dei, eu não me envolvi pelo momento. Eu pensei em tantas coisas. Tantas outras coisas. Não devia nem ter fechado o olho. Aliás, acho que fechei o olho justamente para não me deixar envolver. Não quis deixar o romantismo fluir, já que não eram os lábios do amor da minha vida que estavam colados nos meus.
Depois de muito pensar, acho que descobri a resposta para a minha pergunta. Num beijo apaixonado, as pessoas fecham os olhos para que o mundo à sua volta deixe de existir. Fecham os olhos para terem a sensação de que o tempo congelou. Num beijo de verdade, quem beija não está mesmo nem aí para as outras pessoas. Nem para família, nem para amigos... Peraí! Então quer dizer que, no meu sonho, o amor da minha vida nem sequer lembrou que eu existia quando fechou os olhos para beijar? É triste, mas a resposta é sim. E tenho certeza que é isso que faz com que o fato de o beijo ter sido dado de olhos fechados me deixe mais aflito. Por um momento, menos de um minuto, eu deixei de existir para o amor da minha vida.
É isso. Mas ainda bem que foi só um sonho. Sonho que pode sim acontecer de verdade. Não sei se vou estar preparado se isso acontecer. Não estou preparado nem para me declarar! Mas prefiro acreditar que “provavelmente não”, apesar de não ser “jamais”, me dá forças para respirar aliviado. Não sei por quanto tempo, mas espero que por tempo suficiente para a coragem de uma declaração dar a graça da sua presença no meu coração.

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